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Exposição indígena reúne 35 obras de oito artistas no Museu de Arte Contemporânea de Niterói

- Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói (Divulgação / Prefeitura de Niterói)

O Ministério da Cultura, a Prefeitura de Niterói, a Secretaria Municipal das Culturas de Niterói e a Petrobras apresentam a exposição a “Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara”, no Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói. A abertura para o público será no sábado (13), às 13h. A classificação é livre e a visitação pode ser realizada de terça a domingo, de 10h às 18h (entrada permitida até às 17h30).

Com concepção de Daiara Tukano e curadoria de Denilson Baniwa e Priscila Danny, a grande exposição – de oito artistas indígenas, de sete povos diferentes, de quatro regiões do Brasil – conta com 35 obras, em linguagens diversas como pintura, vídeo arte e produções têxteis, reforça o papel da cidade como pólo de promoção das culturas indígenas no país. “Ohpeko Dihtara” reúne, além de Daiara e Denilson, artistas como Gustavo Caboco, Naine Terena, Kaya Agari, Yaka Huni Kuin, Rita Huni Kuin e Renata Tupinambá (Aratykyra).

Parte das obras foi criada especialmente para a mostra, enquanto outras integram acervos representados pelas galerias A Gentil Carioca, Almeida & Dale e Carmo Johnson Projects. O Instituto MECA (Mac Laren Educacional, Cultural e Ambiental) é também parceiro da exposição, tendo apoiado a realização de residências artísticas para as artistas Yaka Huni Kuin e Kaya Agari.

A exposição faz parte do projeto Encontro com Arariboia, lançado em março de 2026 com um seminário em Niterói. A atividade reuniu participantes de diversas partes do país e resgatou a origem ancestral do município, o único do país oficialmente fundado por um indígena, o cacique Arariboia, do povo temiminó.

“Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara” e o conjunto de ações do Encontro com Arariboia são realizadas em parceria com a Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal das Culturas, do MAC Niterói e da Fundação Casa de Rui Barbosa (Ministério da Cultura).

Para a secretária municipal das Culturas de Niterói, Júlia Pacheco, a exposição é resgate fundamental da história local e também valoriza o Museu de Arte Contemporânea (MAC Niterói), um dos principais equipamentos públicos de cultura do país.

Para o diretor do MAC Niterói, Victor De Wolf, o museu sempre foi palco e esteve aberto para a diversidade das manifestações artísticas de muitas origens.

“Ao nos aproximarmos dos 30 anos do museu (que serão comemorados em setembro), buscamos trazer ao público uma exposição que carrega consigo a origem e o passado de nosso povo, ao mesmo tempo que contribui para difundir a produção contemporânea indígena brasileira. Esta exposição também marca o início da parceria do museu com a Petrobras por meio da Lei Rouanet, dois ícones brasileiros. Agradecemos à Petrobras, símbolo do desejo de nosso povo por soberania, e ao Governo do Brasil, que juntos seguem investindo na arte e na cultura de nosso país. Renovamos o compromisso de aproximar cada vez mais o MAC Niterói da sociedade, trazendo para dentro do museu os debates da contemporaneidade e mantendo este espaço como um abrigo poético da arte contemporânea. Fazemos isso agora ao lado de parceiros estratégicos que contribuirão para ampliar e fortalecer a presença do MAC Niterói no cenário da arte contemporânea”, afirma.

SOBRE A EXPOSIÇÃO OHPEKO DIHTARA TRAVESSIAS DA GUANABARA

Ohpeko Dihtara é “o lago de leite”, na língua tukano, o berço da criação da humanidade, vindo do seio da grande avó do universo, a primeira Maloca de Transformação. Associado geograficamente à Baía de Guanabara, o título da exposição faz referência à origem cosmológica indígena, aos processos de deslocamento e transformação ao longo do tempo, atravessando a colonização e suas consequências até a contemporaneidade.

Portanto, a exposição Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara articula cosmologia, história e política para reforçar os olhares sobre essa região como território originário da vida e como espaço contínuo de presença indígena. A mostra propõe uma reinterpretação do Brasil que desloca a centralidade da narrativa colonial para uma perspectiva indígena de origem, memória e futuro.

Todos os textos da exposição, além do idioma português, serão traduzidos para a língua nheengatu. Ao reunir essas produções, a exposição constrói uma travessia que conecta a origem cosmológica às disputas contemporâneas, evidenciando que a Baía de Guanabara, longe de ser apenas marco da colonização do Brasil, permanece como território indígena vivo, atravessado por memórias, violências e continuidades. Uma exposição que revisita e reconfigura o registro cronológico dos acontecimentos dessa importante região, afirmando a possibilidade de imaginar e produzir outras formas de existência.

ENCONTRO COM ARARIBOIA

O projeto Encontro com Arariboia foi lançado em março de 2026, com um amplo seminário na cidade de Niterói, reunindo lideranças indígenas de muitos estados e do Rio de Janeiro. O projeto busca um espaço de construção coletiva, escuta ativa e articulação de saberes. A iniciativa afirma a presença ancestral dos povos da região, revisita a figura histórica de Araribóia e sua trajetória. Dessa forma, o projeto é um ponto de partida, um território comum onde se cruzam histórias, territórios e visões de mundo. Um chamado para honrar o passado, celebrar o presente, cocriar um futuro mais plural e uma cidade mais inclusiva e justa.

Segundo uma das curadoras do encontro, Daiara Tukano, essa região é “um lugar sagrado” para os povos indígenas. “Antes de qualquer Ibéria e antes de qualquer América, este território é indígena. Nós somos filhos da floresta, do rio, da pedra, da terra”, destaca. De acordo com Daiara, a Baía da Guanabara é atravessada por duas imagens fortes: “A primeira é a das caravelas chegando, uma fronteira que não nos reconheceu como humanos. A segunda é a da cobra grande, que, segundo nossa cosmologia, parou aqui pela primeira vez”.

SOBRE ARARIBOIA

Niterói tem o seu nome na língua tupi e significa “águas escondidas”. O cacique Arariboia, que teve papel fundamental nas guerras de colonização da Baía de Guanabara no século XIV, está imortalizado em diversos espaços da cidade, como na sua famosa estátua na Praça Arariboia, no centro. Personagem marcante da história brasileira, ele chegou a se aliar aos portugueses para expulsar os franceses da região naquele período. Como resultado, recebeu terras e fundou a vila de São Lourenço dos Índios, posteriormente convertida na cidade de Niterói.

SOBRE O MAC

O Museu de Arte Contemporânea – MAC Niterói celebra seu trigésimo aniversário e pela primeira vez conta com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

O ano marca a apresentação do museu pelo Ministério da Cultura, Governo do Brasil e pela Prefeitura de Niterói (Secretaria Municipal das Culturas) com patrocínio master da Petrobras e patrocínio do Itaú Unibanco através da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

Obra de Oscar Niemeyer, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói – espaço administrado pela Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal das Culturas e Fundação de Arte de Niterói – foi construído no dia 2 de setembro de 1996, para abrigar as obras da importante coleção de João Sattamini. O Museu, que em 2016 passou por uma reforma inédita de modernização, completa 30 anos no dia 2 de setembro deste ano e pela primeira vez conta com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

Belo e absolutamente surpreendente, se abrindo como uma flor, o museu conta também com a Coleção MAC Niterói, com obras de arte incorporadas ao acervo por meio de doações de artistas que ali fizeram exposições. Na primeira entrada, fica o pavimento de recepção e administração. Logo acima, o segundo pavimento abriga o salão central de exposições envolto por uma varanda circular envidraçada, destinada também a mostras, e, acima, o mezanino, totalizando uma área de mil metros quadrados, de onde se pode admirar a paisagem panorâmica da Baía de Guanabara. No subsolo, o visitante encontra um auditório para 60 espectadores.

Nesses 30 anos, foram recebidas mais de 2.800.000 pessoas no museu, nomes como David Bowie, Juliette Binoche, o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, entre outros, estiveram no equipamento e deixaram seu relato no livro de ouro. Foram realizadas mais de 185 exposições ao longo desses anos.

PETROBRAS

A Petrobras é uma das principais empresas do país. Atua de forma integrada e especializada na indústria de óleo, gás natural e energia, tendo como compromisso o desenvolvimento sustentável para uma transição energética justa e inclusiva. A Cultura é também uma energia na qual a companhia investe, patrocinando há mais de 40 anos projetos como a programação anual do MAC Niterói, que contribuem para a cultura brasileira e se fazem presentes em todos os estados do país.

SERVIÇO

Exposição: Ohpeko Dihtara_Travessias da Guanabara
Local: MAC Niterói
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/n – Boa Viagem, Niterói (RJ)
Período: 13 de junho a 23 de agosto (terça a domingo)
Horário: 10h às 18h (entrada permitida até às 17h30)
Valor de ingresso: R$20 reais inteira / R$10 reais meia-entrada (nas quartas-feiras a entrada é franca).
Local da venda de ingresso: bilheteria do MAC Niterói, mediante pagamento em dinheiro
Classificação: Livre
Instagram do MAC Niterói: @mac.niteroi
Instagram do projeto: @encontroarariboia

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