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Movimento indígena lança 47 pré-candidaturas para ampliar representação política em 2026

Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

Com apenas cinco parlamentares indígenas entre os 513 deputados federais em exercício e nenhuma representação eleita diretamente para o Senado, lideranças indígenas articulam uma nova estratégia para ampliar sua presença nos espaços de poder nas eleições de 2026. O projeto Aldear a Política reúne 47 pré-candidaturas distribuídas por 16 estados e pelo Distrito Federal, com nomes que disputarão vagas no Congresso Nacional, assembleias legislativas e até governos estaduais, conforme levantamento da Agência Pública.

A iniciativa surgiu a partir de debates realizados no Acampamento Terra Livre e busca fortalecer a participação dos povos originários na política institucional. As pré-candidaturas estão espalhadas por nove partidos. A Rede Sustentabilidade concentra 15 nomes, seguida por PT, com 12, e PSOL, com 10. MDB, PV, PSB, PSD, PDT e Avante também participam da articulação.

O movimento ocorre em um contexto de baixa representação indígena no Legislativo federal. Antes da atual legislatura, apenas duas pessoas indígenas haviam ocupado cadeiras na Câmara dos Deputados. Já o Senado nunca teve um representante indígena eleito diretamente.

Entre os objetivos da articulação estão o aumento da presença indígena nos parlamentos e a consolidação de mandatos capazes de dar continuidade à representação conquistada nos últimos anos. O grupo também aposta na ampliação da participação em disputas estaduais e majoritárias. Um dos casos é o de Isael Munduruku, pré-candidato ao governo do Amazonas.

Apesar das diferenças regionais, as candidaturas compartilham pautas em comum. A defesa dos territórios indígenas, o fortalecimento da educação indígena e as políticas de enfrentamento às mudanças climáticas aparecem entre os principais temas defendidos pelo grupo.

Outro ponto destacado pelos pré-candidatos é a dificuldade de acesso a recursos eleitorais e a persistência do racismo institucional. A eleição de 2026 será a primeira realizada após regras que garantem distribuição proporcional de recursos do Fundo Partidário, do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda para candidaturas indígenas.

O lançamento nacional do projeto ocorreu em 20 de junho e marca o início da mobilização para a formação da chamada Bancada do Cocar nas próximas eleições.

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