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Yanomami: Indígenas repudiam comissão na Câmara só com bolsonaristas

Áreas de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami vistas em sobrevoo ao longo do rio Mucajaí, em Roraima. Imagem: Fernando Frazão - 10/02/2023/Agência Brasil

Associações do povo Yanomami repudiaram hoje a criação de uma comissão externa na Câmara dos Deputados para monitorar a crise humanitária no território composta apenas por parlamentares bolsonaristas.

O que aconteceu

“Nosso repúdio e indignação por mais uma ação truculenta da Câmara dos Deputados que pretende utilizar a dor e a morte dos Yanomami e Ye’kwana para objetivos simulados de disputas políticas”, diz a nota, assinada por 78 organizações.

Câmara instalou comissão na terça-feira (14) com deputados do PL, MDB, Republicanos e União. “A comissão é composta apenas por deputados ligados ao governo Bolsonaro que sempre atuaram contra os direitos dos povos indígenas”, disseram as associações.

Os integrantes da comissão são:

  1. Abilio Brunini (PL-MT)
  2. Capitão Alberto Neto (PL-AM)
  3. Coronel Assis (União-MT)
  4. Coronel Chrisóstomo (PL-RO)
  5. Coronel Fernanda (PL-MT)
  6. Cristiane Lopes (União-RO)
  7. Dr. Fernando Máximo (União-RO)
  8. Gabriel Mota (Republicanos-RR)
  9. Gisela Simona (União-MT)
  10. José Medeiros (PL-MT)
  11. Lucio Mosquini (MDB-RO)
  12. Nicoletti (União-RR)
  13. Pastor Diniz (União-RR)
  14. Silvia Cristina (PL-RO)
  15. Silvia Waiãpi (PL-AP)

 

Comissão quer investigar invasão de garimpeiros ilegais no território Yanomami, nos estados do Amazonas e de Roraima. Para as organizações indígenas, a participação de deputados “defensores do garimpo” é um “escárnio e uma afronta ao sofrimento dos povos Yanomami e Ye’kuana e de todos os povos indígenas do Brasil”.

Integrantes votaram a favor do marco temporal em maio de 2023, como mostrou levantamento do Congresso em Foco. A única exceção é Gisela Simona, que não participou da votação. O marco temporal é uma tese jurídica segundo a qual os povos originários só têm direito aos territórios que ocupavam em outubro de 1988, quando a atual Constituição Federal foi promulgada.

Terra Indígena Yanomami segue registrando índices elevados de mortalidade. Dados do Ministério da Saúde divulgados em fevereiro deste ano mostraram que 363 indígenas morreram no território em 2023, um ano após o início do mandato do presidente Lula (PT).

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