No dia 01 de dezembro, foi realizado no auditório do Centro Socioeconômico (CSE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) o evento “Luta pela terra em SC: A retomada Laklãnõ-Xokleng contra o despejo em Três Barras”, para denunciar as ações praticadas pelo ICMBio e Funai de encaminhamento de despejo da comunidade indígena Laklãnõ-Xokleng da retomada Jug Óg Pãn Txi, localizada no município de Três Barras (SC).
Desde 2024, o ICMBio move uma ação de reintegração de posse judicialmente. A principal questão que envolve a posição contrária à permanência das comunidades indígenas na Floresta Nacional de Três Barras (FLONA) é a paralisação de um processo de exploração de uma área de pínus que fica dentro da FLONA Três Barras. Antes da ocupação, essa área já estava em fases finais de contratação de uma empresa que faria a extração dos pínus para comercializar a madeira. O lucro das vendas seria supostamente revertido para o ICMBio e prefeituras das cidades de Três Barras e Canoinhas. Segundo a comunidade, essas instituições alegam que não é possível explorar a área de pínus com a presença das etnias no local.
Mobilização de democratas em apoio às retomadas indígenas
O evento foi composto por uma mesa de abertura com a fala de representantes das organizações democráticas e apoiadores do evento, mesa principal de discussão política e atividade cultural com apresentação de canções tradicionais Laklãnõ-Xokleng.
Na mesa de abertura estiveram presentes lideranças Laklãnõ-Xokleng, como a Anciã Ioko Monconãn e o Cacique Dili Copacã, ambos do território Jug Óg Pan Txi, e o Cacique Samuel Pripra do território Goj Konã. Em seguida apoiadores representando organizações que contribuíram para a realização do evento também saudaram o evento como o Movimento Maruí, Executiva Catarinense de Estudantes de Pedagogia, Frente Palestina Livre SC, Centro acadêmico livre de Geografia UDESC, Centro acadêmico de Antropologia UFSC (CALANT) e a jornalista Rosana Bond.
Os convidados apresentaram as organizações das quais fazem parte e relacionaram as suas lutas com a do povo indígena contra o latifúndio e imperialismo. Manifestaram apoio e solidariedade e reforçaram a importância do apoio de todos os setores democráticos pela causa indígena.
A mesa principal de discussão foi composta por Nandja — liderança Laklãnõ-Xokleng no território Goj Konã, Milton Felipe Pinheiro — Assistente Social, Mestrando em Desenvolvimento Regional na FURB e residente do território Goj Konã, a advogada e pesquisadora Thais Bonato Gomes e o advogado André Dalcarobo, representante do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Santa Catarina — CEDECA/SC, e um representante do Comitê de Apoio ao AND de Florianópolis.

A mesa expôs o histórico de luta do povo Laklãnõ-Xokleng e os horrores cometidos após o contato com os invasores europeus, a importância de realizar retomadas como forma de resistência e contraofensiva ao processo de monopolização das terras pelo latifúndio, que mantém o massacre dos povos indígenas, independente da gerência de turno.
A falsa esquerda foi alvo de crítica, principalmente o governo de Luiz Inácio, que apesar de possuir um discurso de apoio aos povos originários, promove o assassinato dessas comunidades através da sua aliança com o latifúndio. Foram discutidas, através da fala do advogado André Dalcarobo, as irregularidades do processo que o ICMBio move contra a retomada, que torna a reintegração de posse inconstitucional.
Vale destacar que o território de Três Barras (SC) é terra histórica do povo Laklãnõ-Xokleng e isso se comprova mediante múltiplas evidências reconhecidas pelo IPHAN (Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), não havendo assim justificativa para a expulsão desse povo de sua terra.
Por último, a persistência do povo Laklãnõ-Xokleng em permanecer na retomada Jug Óg Pãn Txi não deve ser vista como um fato isolado. Pelo contrário, ela faz parte de um amplo movimento de resistência indígena e camponesa que se verifica em todo o Brasil, evidenciando a combatividade dos povos originários perante a perseguição do velho Estado e do latifúndio.
Exemplos como o dos Ka’apor no Maranhão, que há anos combatem invasores madeireiros com patrulhas autônomas e recuperação de territórios históricos, assim como dos Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, em verdadeira guerra pela terra, revelam que essas resistências não são utópicas ou ineficazes, mas vitórias reais que inspiram comunidades, desmascarando as tentativas de desmobilização que reduzem o debate a círculos universitários e ignoram a resistência inclusive armada indígena na garantia de terra para quem nela vive e trabalha, assim como do direito de praticar sua cultura.
Para finalizar o evento, os indígenas apresentaram uma de suas canções tradicionais.







