Entre os dias 16 e 18 de maio, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participou da 6ª Assembleia Anual do Povo Kapinawá, realizada na Aldeia Mina Grande, em Buíque (PE). Durante os três dias de programação, lideranças indígenas, representantes de instituições públicas e organizações parceiras participaram de debates sobre saúde, educação, território, fortalecimento comunitário e políticas públicas voltadas às demandas dos povos indígenas.
A convite da Associação Nacional de Ação Indigenista (ANAI), o Iphan esteve representado pelas arqueólogas Raquel Santos, da Coordenação de Preservação do Centro Nacional de Arqueologia (CNA) do Instituto, e Mônica Odomilayê Nogueira, da Superintendência do Iphan em Pernambuco.
Um dos destaques da assembleia foi a apresentação do projeto “Cuidar do Sagrado: gestão participativa dos sítios arqueológicos ancestrais Kapinawá”, contemplado em segundo lugar no edital Arqueologia Viva, promovido pelo CNA/Iphan. A iniciativa tem como objetivo fortalecer ações de preservação e gestão do patrimônio arqueológico em parceria com comunidades locais e povos tradicionais.
Durante o encontro, também foi realizada a entrega simbólica do certificado de premiação ao cacique Robério Kapinawá. Para a arqueóloga Raquel Santos, o gesto representa o reconhecimento do projeto junto à comunidade e concretiza o início das ações contempladas pelo edital.
As representantes do Iphan também dialogaram com a comunidade sobre preservação do patrimônio arqueológico no território Kapinawá, que reúne uma das maiores concentrações de sítios arqueológicos do país. O momento permitiu ouvir as demandas do povo indígena sobre a relação ancestral e espiritual com esses espaços sagrados.

“Esses lugares ancestrais e sagrados são onde buscamos a determinação dos nossos antepassados para continuar lutando”, destacou a liderança indígena, Mocinha Kapinawá.
A professora e coordenadora pedagógica do projeto, Rosy Kapinawá, também ressaltou a importância da iniciativa. “Falar do sagrado é muito forte, porque ele está em toda parte do nosso território. Os sítios arqueológicos são um desses espaços, e a gente vem defender isso com toda a nossa força coletiva”, afirmou.

A programação incluiu ainda uma visita ao sítio arqueológico Loca das Cinzas, conduzida pelo guia de turismo e coordenador de pesquisa indígena do projeto, Ronaldo Kapinawá.
Segundo a arqueóloga Mônica Odomilayê Nogueira, a participação institucional do Iphan na assembleia fortalece o diálogo com os povos indígenas.

“Estar no território nos permite compreender como os Kapinawá se relacionam com os sítios arqueológicos. Esse diálogo ajuda a equipe técnica do Instituto a avançar na construção de políticas públicas específicas para o patrimônio cultural indígena, respeitando suas particularidades e formas de organização social”, destacou Nogueira.






