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O drama do povo Yanomami foi tema da abertura do 12º Fórum Internacional do Meio Ambiente

Junior Hekurari denuncia situação de seu povo na noite desta terça-feira (12), em Porto Alegre - Foto: Jorge Leão

O drama vivido pelo povo Yanomami que está sendo eliminado por doenças como a malária foi o relato principal feito pelo líder da etnia Júnior Hekurari, na abertura do 12º Fórum Internacional do Meio Ambiente (12º Fima), que aconteceu no auditório da Famecos, na PUC/RS, na noite desta terça-feira (12).

O evento é promovido pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI), em parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, com a Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos da PUCRS, e com o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (CNPQ/UFRGS) e apoiadores.

Nesta edição o tema central é “Água e Energias Renováveis”. A participação do líder indígena na abertura deve servir como um alerta à situação vivida pelos povos originários que vivem em interação direta com o ambiente.

Na mesa de abertura, o presidente da ARI, José Nunes, lembrou que a 12ª edição tem a mesma temática que pautou a primeira, quando ainda era chamado de Fórum da Água. Ele lembrou a importância da imprensa na divulgação da realidade indígena. “Desde que iniciei a organização do fórum em 2022, como presidente da ARI, sempre fiz questão de dar voz aos povos indígenas. Esta é uma questão que entendemos ser um compromisso nosso como comunicadores, dar voz a esses povos tão sofridos em todo o país.”

O presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), José Nunes, disse que a entidade está atenta às questões ambientais, defesa do meio ambiente, liberdade de expressão e à democracia / Foto: Jorge Leão

Heverton Lacerda, presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), lembrou que o ambientalista gaúcho José Lutzenberger, quando assumiu a pasta do Meio Ambiente em 1990 (no governo Collor), foi pioneiro na luta pela demarcação das terras yanomamis.

A professora da Escola de Comunicação, Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Rosângela Florczack, destacou a parceria com a ARI na realização deste evento e que a situação ambiental deve ser refletida entre a academia e a sociedade para que o debate avance.

Já a professora Ilza Girardi, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), espera que os estudantes se sensibilizem a partir da história dramática do sofrimento do povo yanomami.

“Queremos conscientizar a sociedade para poder nos ajudar”

Em sua fala, o líder Yanomami denunciou a morte de crianças indígenas por contaminação com mercúrio usado nos garimpos. Ele também denunciou a retirada de madeira da Amazônia. Falou sobre a floresta, que considera de fundamental importância para todos. “Através da floresta que a gente respira, se alimenta e toma água, por exemplo. Neste congresso teremos voz para conscientizar a sociedade e poder ajudar, principalmente, os povos indígenas que estão morando dentro da floresta”, disse.

Conforme Hekurari, o povo Yanomami tem suas terras demarcadas desde 1992, porém vem sofrendo invasões de garimpeiros que vão em busca de ouro e cassiterita. “Temos um território do tamanho de Portugal onde vivemos 32 mil pessoas. Nossas terras estão nos estados de Amazonas e Roraima. Estamos morrendo de malária e queremos um maior esforço do governo para salvar nosso povo. Na semana passada foi criada a Casa de Governo em nossas terras para acompanhar mais de perto a situação. Mas ainda é pouco”, ressaltou.

Representantes indígenas do RS participaram ativamente do debate / Foto: Jorge Leão

Hekurari lembrou que 99% de seu povo nem fala o português. “Somos um grupo de brasileiros que temos nossa própria cultura.” Segundo ele, as invasões começaram ainda na década de 1980 e 1990. “Depois houve a demarcação, mas os invasores voltaram, chegaram a mais de 25 mil e nem mesmo 5 mil foram presos. Hoje estamos enfrentando uma epidemia de malária e tem os quase 30 mil casos da doença numa população dem32 mil pessoas. Não queremos que o governo fique só lamentando a gente quer garantir o futuro da população Yanomami”.

Representantes dos povos indígenas do RS participaram do evento / Foto: Jorge Leão

Nesta quarta-feira (13) o fórum teve continuidade com o debate “O papel da Imprensa na cobertura sobre Água e Energias Renováveis”. Participaram as jornalistas Geórgia Santos, Eliege Fante, Debora Gallas e Silvia Marcuzzo. A mediação foi realizada pela professora e jornalista Ilza Girardi que coordena o Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Ufrgs.

Em seguida, às 10h30min, houve um painel com o professor Jorge Picanço de Figueiredo, da UFRJ, sobre os diferentes tipos de energias renováveis e até que ponto são realmente viáveis, e Daniela Cardeal, que é presidenta do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), que apresentou diversas informações sobre a diversificação dos modos de produção de energia no Rio Grande do Sul.

Já às 14h15min, Rodrigo Lopes, jornalista que cobre o Mundo para a RBS, vai apresentar, em vídeo, a cobertura que fez da COP 28. Na mesma mesa, dirigida pelo ambientalista Heverton Lacerda, a jornalista Carla Gaudensi, líder dos periodistas na Argentina, falará sobre o governo Milei e o Meio Ambiente.

O último painel do evento será sobre “A visão das ONGs sobre Energias Renováveis”, com o professor Paulo Brack, coordenador do InGá, Francisco Milanez, Lucia Ortiz, das Amigas da Terra Internacional, e Ligia Miranda, da ONG Toda Vida. A mediação é do jornalista João Batista Santafé Aguiar, diretor de meio ambiente da ARI e editor do site agirazul.com.

No encerramento, depois das 18h30min, será feita a leitura da Carta do Fima pelos organizadores.

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