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Funai conclui demarcação de terra de indígenas isolados após três décadas

Primeira placa de demarcação da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo. Foto cedida pela Funai.

Agentes da Funai passaram 60 dias, em junho e julho de 2026, realizando a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo. A área de 411 mil hectares, em Colniza, noroeste de Mato Grosso, abriga os Kawahiva, povo indígena isolado.

A Funai confirmou a presença do povo indígena em 1999 e iniciou o processo de demarcação do território em 2001. Desde então, o território dos Kawahiva tem sido invadido por grileiros e madeireiros, recebendo apenas proteção intermitente por meio de portarias de restrição de uso.

“Os Kawahiva isolados estão sob ameaça em sua própria floresta há décadas, enquanto simplesmente tentam exercer o direito de viver como querem, sem contato”, disse Caroline Pearce, diretora da ONG Survival International, em comunicado.

Imagem de um Kawahiva registrada em agosto de 2013. Imagem cedida pela Funai.

Para realizar a demarcação física, os agentes da Funai abriram uma picada ao longo dos limites da terra e instalaram cerca de 140 placas em pontos estratégicos, segundo agentes da Funai ouvidos pela Mongabay.

“Aqui na nossa região, todos os donos de lotes de terra fazem isso”, disse à Mongabay Jair Candor, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Madeirinha-Juruena, da Funai. “Os limites da terra são marcados abrindo-se uma picada ao redor daquele território, seja ele do homem branco ou de um indígena.”

A última placa foi instalada em 3 de julho de 2026. Foto cedida por Kenedy Vicente da Silva.

Segundo Candor, a última invasão do território ocorreu em 2023, quando um fazendeiro desmatou entre 4 e 5 hectares da terra indígena. Ao ser abordado, o fazendeiro disse que não havia marcos que identificassem a terra indígena.

“A demarcação física serve para isso”, disse Candor. “Para que as pessoas possam identificar que ali existe uma terra indígena e um povo que a habita e precisa daquele território.”

Acampamento Kawahiva abandonado. Foto cedida pela Funai.

Com a conclusão da demarcação física, o processo segue para a homologação. Cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva homologar a demarcação por decreto.

A Presidência da República informou à Mongabay que o governo aguarda decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o marco temporal — tese que toma 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, como referência para o reconhecimento de terras indígenas — antes de avançar com novos reconhecimentos, a fim de garantir segurança jurídica.

“Se conseguirmos manter do jeito que está lá, sem invasões, eles vão ficar bem”, disse Candor. Segundo ele, expedições de monitoramento indicam que a floresta fornece caça, peixes e outras fontes de alimento suficientes para a sobrevivência dos Kawahiva. “Eles também são seres humanos e só precisam de um lugar onde possam viver em paz, como todo mundo.”

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