O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) recebeu, nesta segunda-feira (08/06), a primeira turma de indígenas graduandos de Enfermagem do país, durante o II Workshop de Integração em Práticas Avançadas em Enfermagem, realizado no auditório. Ao todo, são 49 alunos – representantes de 42 povos indígenas -, matriculados no curso de Enfermagem Intercultural Indígena, da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat). A iniciativa propõe formação superior voltada às especificidades das comunidades indígenas, fortalecendo a sua autonomia no cuidado à saúde e respeitando os saberes tradicionais.
O conselheiro federal do Cofen Josias Ribeiro, representando o presidente Manoel Neri, destacou a parceria do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem na implantação do curso de bacharelado exclusivo para os povos originários junto à Unemat. “A Câmara Técnica de Educação e Pesquisa emitiu o Parecer 3, em 2023, que assegurou fundamentação legal para a participação do enfermeiro do serviço de saúde como preceptor no acompanhamento desses alunos. O Cofen se coloca à disposição para auxiliar na formação desses alunos que vão fortalecer a saúde indígena”.
A chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Articulação e Promoção de Direitos Indígenas, do Ministério dos Povos Indígenas (SEART/MPI), Ana Carolina Diogo, afirmou que nos últimos dez anos, o grupo de indígenas foi o que mais acessou a educação de ensino superior no país. “Saímos de 11 mil para mais de 70 mil indígenas dentro das universidades. Isso foi um avanço muito grande, que representa mais de 167% de crescimento dos sistemas de cotas para dar acesso às populações que não tinham esse espaço”, reforçou.
“É justamente nesse ponto que o Ministério dos Povos Indígenas tem atuado. Ele nasce pelo reconhecimento de que a gente precisa participar dos espaços de construção das políticas que são feitas para nós e que reconhecem a diversidade dos povos indígenas em seus diferentes contextos e territórios”, afirmou.
Na ocasião, o representante da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, Dawid Souza Lima, reforçou que a presença desses futuros profissionais atuando nos territórios, dentro dos seus locais, vai melhorar cada vez mais a saúde indígena.
Já o coordenador de Políticas de Educação Escolar e Formação Intercultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), André Raimundo Ferreira Ramos, destacou a parceria histórica com a Unemat desde a primeira licenciatura intercultural implantada no Brasil, em 2001, e agora, na construção pioneira do curso de Enfermagem indígena. “O processo de autonomia dos povos indígenas, hoje, passa necessariamente por uma formação na área da saúde. Esse projeto vai abrir portas para outros povos indígenas”, concluiu.
Participaram da abertura do workshop, a coordenadora do curso de graduação de Enfermagem Intercultural Indígena da Universidade do Estado do Mato Grosso, Ana Cláudia Pereira Trettel; a conselheira do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF), Tila Viana; conselheiro do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), Marcelo Carvalho da Conceição; a secretária-geral da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn Nacional), Rosalina Aratani Sudo; o representante da Sesai o chefe de gabinete representando o senador Wellington Fagundes (PL-MT), Euripedes Alencar de Souza; e representantes da Rede Sarah e do Hospital Sírio-Libanês de Brasília, Gerson Kuhne e Fernando Melo, respectivamente.
II Workshop de Integração em Prática Avançadas em Enfermagem para Indígenas Graduandos – O evento celebra a trajetória de 49 discentes que integram a primeira turma de enfermeiros indígenas do país, um projeto pioneiro executado pela Faculdade Intercultural Indígena da Universidade do Estado de Mato Grosso (FAINDI-UNEMAT), que consolida um novo paradigma na saúde pública e na valorização dos povos originários.
De 8 a 11 de junho, os indígenas graduandos participam, em Brasília-DF, de um intercâmbio cultural e científico. A programação contempla uma série de atividades práticas. Além do ciclo de palestras e oficinas no Cofen, eles terão a oportunidade de expandir seus horizontes em centros hospitalares de excelência internacional, como o Hospital Sírio-Libanês e a Rede SARAH.





