A partir de 20 de outubro, retratos fotográficos ocuparão o Sesc 24 de Maio, em São Paulo, na exposição “KAABOK”, a fim de provocar um debate sobre a história dos povos originários e o protagonismo dos milhões de indígenas que nasceram, vivem, estudam, trabalham e existem no contexto urbano e periférico paulistano.
Idealizadora do projeto e autora dos retratos, Tatiane Ursulino tem sua estreia como fotógrafa still com o projeto realizado através do Programa VAI 2023 e produzido coletivamente com Daniela de Oliveira e Barbara X. KAABOK dá origem à palavra caboclo, termo muito utilizado entre pessoas indígenas que saíram de seus territórios ou que não puderam mais se autodeterminar como pessoas indígenas. A palavra também era um termo comum entre indígenas da costa para se referir aos Tapuias do Sertão.
“Dentro do meu processo de retoma, tudo indica que minha família é do Povo Tapuia, ali da região do Sertão Paraibano, não à toa, minha mãe era apelidada de Tapuia quando pequena. Então o nome do projeto também é uma forma de reivindicar a história das minhas anciãs – a história da minha mãe, da minha tia, da minha avó, da minha bisa”, conta a artista.
São fotografias documentais de rostos Tapajós, Potiguaras, Tapuias e muitos outros, sobre suas motocicletas, envolvidos por paredes de cores vivas, ou comprando louro na feira-livre. Representações de situações cotidianas e ações ordinárias, comuns a todo jovem das periferias paulistanas que, emolduradas pela imagem e trajetória de Tatiane, se transformam em um manifesto coletivo pela visibilidade Indígena viva e livre de estereótipos.
Na defesa do seu projeto para o Programa VAI 2023, Tatiane abordou a ausência de pessoas indígenas em contextos urbanos ao pesquisar fotografias na internet. “Ao usar as palavras-chaves ‘pessoa indígena’ na barra de pesquisa de um navegador, se tem uma chuva de imagens de povos originários em frente à sua maloka, usando cocar, adornos, pinturas corporais, protestando pelos seus direitos, mas quase não se vê imagens de uma pessoa indígena no contexto urbano, usando roupas e acessórios da moda”.
Segundo a profissional, além da fotografia produzida por pessoas brancas, os algoritmos de pesquisas também colaboram com o imaginário coletivo de que só há uma forma de ser indígena, negando toda a existência da pluralidade originária e dificultando o processo de identificação daqueles que nasceram na cidade.
“A criação de novas referências e imaginários trazida por KAABOK é também convite para que outros se identifiquem e se aproximem, incentivando o movimento crescente chamado de Retomada (reconhecimento racial como uma pessoa Indígena)”.
Confira algumas fotografias da exposição “KAABOK”:
Serviço
Exposição: “KAABOK”
Data: De 20 de outubro de 2026 a 17 de janeiro de 2027
Local: Sesc 24 de Maio | Rua 24 de Maio, 109 – República, São Paulo – SP
Hora de funcionamento: terça à sábado: das 9h às 21h – domingos e feriados: das 9h às 18h
Classificação Indicativa: Livre
Entrada: Gratuita





