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Escavações no Parque Nacional do Catimbau em Pernambuco encontraram cemitérios indígenas de mais de 6 mil anos

Ilustração histórica digital de ritual funerário indígena no Vale do Catimbau há milhares de anos, com habitantes em abrigo de arenito sob luz dourada - Créditos: Imagem Ilustrativa

No coração do sertão de Pernambuco, o Parque Nacional do Catimbau guarda muito mais do que paisagens de cânions e formações rochosas. Escavações arqueológicas encontraram cemitérios e outros contextos funerários ligados a populações humanas que viveram na região há milhares de anos, com evidências de ocupação que chegam a cerca de 6.640 anos.

O que a ciência descobriu sobre os antigos habitantes do Catimbau?

O Vale do Catimbau concentra dezenas de sítios arqueológicos em abrigos e cavernas de arenito. Pesquisas identificaram ossos humanos, fogueiras, ferramentas de pedra, restos vegetais e pinturas rupestres, compondo um registro de diferentes momentos da ocupação humana do Nordeste.

Uma das datações mais antigas da região chegou a 6.640 ± 95 anos antes do presente, obtida por radiocarbono em restos esqueletais. Isso coloca o Catimbau entre os locais importantes para entender a presença humana antiga no semiárido brasileiro.

Como funcionavam os sepultamentos no Catimbau?

Os pesquisadores encontraram diferentes formas de deposição dos mortos. Em alguns casos, os corpos foram enterrados diretamente, caracterizando sepultamentos primários. Em outros, os ossos passaram por uma etapa anterior de tratamento e depois foram depositados novamente, prática conhecida como sepultamento secundário.

Essas diferenças são importantes porque mostram que não existia necessariamente uma única maneira de lidar com a morte. A posição dos esqueletos, a presença ou ausência de objetos e alterações nos ossos podem revelar etapas de um ritual funerário.

O detalhe mais intrigante: corpos podiam ser manipulados depois da morte?

Estudos de sítios arqueológicos do Catimbau mostram que alguns sepultamentos secundários envolviam uma sequência complexa. O corpo podia passar por decomposição ou descarnamento antes de seus ossos serem reunidos e enterrados novamente.

Essa conclusão não depende apenas de encontrar ossos fora de posição. Marcas de corte, fraturas e outros sinais preservados no material ósseo ajudam a diferenciar uma alteração natural de uma ação intencional realizada pelas pessoas que participaram do ritual.

Um estudo publicado no Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas analisou um sepultamento secundário do sítio Pedra do Cachorro, em Buíque, e identificou sinais de manipulação intencional dos restos humanos. O artigo científico pode ser consultado aqui.

Por que essa descoberta importa para você?

O registro arqueológico do Catimbau ajuda a desmontar a ideia de que o sertão brasileiro teria sido ocupado apenas recentemente. Muito antes da formação das cidades atuais, grupos humanos já conheciam a paisagem, exploravam seus recursos e desenvolviam práticas culturais complexas.

Além disso, os sítios funerários preservam informações que dificilmente aparecem em outros tipos de vestígio. Um esqueleto pode revelar idade, sexo biológico, doenças, traumas e práticas mortuárias, enquanto objetos e estruturas ajudam a reconstruir o ambiente social dessas comunidades.

O que mais a ciência está investigando sobre o Catimbau?

Arqueólogos continuam investigando a relação entre sepultamentos, pinturas rupestres, ocupação das cavernas e mudanças ambientais no semiárido. Comparar esses vestígios com outros sítios do Nordeste pode revelar como diferentes grupos se adaptaram à paisagem ao longo de milhares de anos.

Assim, cada escavação no Parque Nacional do Catimbau funciona como uma espécie de cápsula do tempo. Entre ossos, pedras, pigmentos e restos de antigas atividades, a arqueologia encontra pistas sobre pessoas que viveram no Nordeste muito antes de qualquer registro escrito.

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