(Genivaldo Yanomami) “Meu nome é Genivaldo Krepuna Yanomami, sou estado de Roraima. Eu venho aqui, também, nesse Congresso Nacional, com o objetivo de ver como funcionam as leis que fazem parte das políticas públicas, né? Para ver, conhecer todas as realidades do sistema do Congresso Nacional.”
O Genivaldo é um dos pesquisadores indígenas que visitaram o Senado nesta quinta-feira. Além dos Yanomami, integraram o grupo representantes dos povos Munduruku e Enawenê Nawê, este útimo, de recente contato com não-indígenas.
Os objetivos da visita foram conhecer mais o Senado e investir na incidência política em busca de apoio a projetos de recuperação ambiental em áreas destruídas pela mineração.
As lideranças também reivindicam a total desintrusão de seus terrítórios, recolhimento de maquinário e combustível deixado por garimpeiros; além da construção de poços artesianos para garantir água potável.
Pesquisador Reginaldo Poxo Munduruku explicou que os indígenas precisam do Parlamento, inclusive no orçamento, para garantir recursos para ações socioambientais:
(Reginaldo Poxo) “A gente tem como objetivo restaurar 106 hectares dentro do nosso território. A nossa região foi degradada pelo garimpo ilegal, então, tudo isso impactou a nossa saúde – dos povos indígenas -, a vida da flora, como palmeiras, açaizeiros; contaminou, também, o nosso alimento, o peixe.”
Em reunião com consultores do Senado na Comissão de Meio Ambiente, os pesquisadores indígenas conheceram mais sobre como funciona a Casa e sobre como participar ativamente do processo de feitura das leis.
Eles ficaram sabendo, por exemplo, da oficina legislativa oferecida pelo E-cidadania, portal por meio do qual é possível sugerir uma ideia que poderá virar um projeto de lei de verdade.
O secretário do colegiado, Airton Aragão Jr., explicou que essa ferramenta pode ser útil, por exemplo, nas escolas indígenas:
(Airton Aragão Jr.) “Para aproximar, também, os jovens indígenas e as lideranças desse processo, dessa possibilidade de participação dentro e-cidadania, aqui no processo do Senado Federal.”
A servidora da Funai, Cecília Woortmann, que acompanhou o grupo de pesquisadores indígenas no Senado, explicou que o Plano de Recuperação Ambiental no território Yanomami é feito em parceria com a Universidade de Brasília, UnB. Para ela, aumentar o diálogo dos indígenas com o Congresso é essencial para fortalecer este e outros projetos:
(Cecília Woortmann) “Quanto mais essa aqui for, realmente, a Casa do Povo, mais os povos indígenas têm que estar aqui.”
O garimpo em terras indígenas, atividade que é ilegal no Brasil, além de derrubar árvores, contamina o solo, os rios e os peixes com mercúrio, metal tóxico que mina a saúde de quem vive nesses territórios.
Pesquisa da Fiocruz, de 2024, mostrou que 94% dos Yanomami de nove aldeias invadidas por garimpos tinham alto nível de contaminação por mercúrio. Entre os Munduruku, um levantamento deste ano feito com gestantes mostra contaminação de 97% das mulheres. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.






