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Número de indígenas assassinados na Bahia dobrou em 2023

Estado ocupou a 3ª posição entre os mais violentos no campo em 2022. Crédito: Divulgação/Mupoiba

Faltavam dois dias para o Natal quando o cacique Pataxó Hã-Hã-Hãe Lucas Santos de Oliveira, conhecido como Lucas Kariri-Sapuyá, 31 anos, foi assassinado em Pau Brasil, no Sul da Bahia. Ele foi surpreendido por dois homens em uma moto quando chegava na aldeia, em 21 de dezembro de 2023. Lucas foi o sexto indígena morto naquele ano. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2022 inteiro, foram registradas três mortes, o que revela que o número de vítimas dobrou.

O caso mais recente aconteceu no domingo (21), quando a indígena Maria de Fátima Muniz de Andrade, a Nega Pataxó, foi assassinada durante um conflito de terra em Potiraguá, no Sul da Bahia. O irmão dela, cacique Nailton Muniz foi atingido no rim e passou por cirurgia no Hospital Cristo Redentor, em Itapetinga. Eles foram baleados durante uma ação de fazendeiros para retomar a posse das terras.

A ação chamou a atenção do governo federal e a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, vai visitar a região nesta segunda-feira (22), mas essa não é a primeira vez que a Bahia atrai os holofotes por conta da violência contra os povos originários. Segundo o levantamento feito pelo CPT, em 2022, foram registrados 211 conflitos no campo no estado, o que inclui indígenas, quilombolas e movimentos organizados, como o MST. Três indígenas foram assassinados.

O dado colocou a Bahia na terceira posição no ranking dos estados com mais conflitos no campo, atrás apenas do Maranhão (225) e do Pará (236). Naquele ano, o Pataxó Dênis Kawhã Santos da Cruz, 16 anos, foi encontrado morto com sinais de espancamento em uma praia em Santa Cruz Cabrália. Ele foi retirado de uma festa e assassinado. A polícia suspeita de rixa entre bairros. O caso teve repercussão nacional.

Seis ocorrências

Os dados do CPT mostram uma escalada na violência no campo em todo o país desde 2014. No ano passado, foram registrados 973 conflitos, representando um aumento de 8% em relação ao mesmo período de 2022, quando foram registrados 900 ocorrências. Este dado fez o primeiro semestre de 2023 fica em 2º lugar nos últimos 10 anos, sendo superado apenas pelo ano de 2020, quando foram registrados 1.007 conflitos.

Em janeiro de 2023, os Pataxós Samuel Cristiano do Amor Divino, 21, e Nauí Brito de Jesus, 16, foram mortos a tiros no km 787, quando estavam a caminho de uma das fazendas ocupadas por um grupo indígena no processo de retomada de território pelos povos Pataxós, em Itabela. Em abril, o Pataxó Hã-hã-hãe Daniel de Sousa Santos, 17 anos, foi morto dentro de uma área de reserva, também em Pau Brasil.

Em setembro de 2022, o Pataxó Gustavo Silva da Conceição, 14, foi assassinado com um tiro na cabeça após ataque de pistoleiros a uma aldeia no território indígena Comexatiba, em Prado. Segundo testemunhas, pelo menos cinco homens armados com armas calibre 12, 32, fuzil ponto 40 e bomba de gás lacrimogêneo invadiram o local. Outro adolescente foi atingido com um tiro no braço e outro de raspão.

A quinta vítima foi uma mulher da etnia Pataxó Hã hã hãe, assassinada em uma estrada que liga Pau Brasil a Itaju do Colônia, em outubro. A suspeita da polícia era de que o crime tivesse relação com o tráfico de drogas. E o último caso foi o de Lucas Kariri-Sapuyá, morto dias ante do Natal.

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